
Foto: Sirli Freitas / ClicRBS
Esperei até agora (é uma da manhã de segunda-feira quando escrevo esse artigo) para evitar que a indignação influenciasse a postagem caso eu escrevesse logo após a partida. Com esse “descanso”, tenho a chance de fazer uma postagem mais racional.
Pois bem, vamos ao jogo. Sinceramente, ao ver a escalação do Avaí as esperanças de um bom resultado já ficaram reduzidas. Arlan, Renato Santos e Ronaldo Capixaba entre os titulares? É coisa pra deixar o torcedor assustado o jogo inteiro. O franzino lateral é o mesmo do ano passado, que se esconde do jogo. Sobre os dois ex-Joinville eu já emiti opinião quando foram contratados. Para piorar, Robinho envergando a camisa dez é pra desanimar qualquer um.
PRIMEIRO TEMPO
Contrariando as expectativas iniciais, o Avaí foi superior na primeira parte do jogo. Ainda que não tenha sido assim “uma Brastemp”, criou duas chances claras que só não se transformaram em gol pela incompetência dos finalizadores: primeiro, Marcinho Guerreiro “rabou” em bola na frente do goleiro, mas podemos perdoá-lo por não ser atacante; na segunda, o “matador” Ronaldo Capixaba atrasou a bola pro goleiro chapecoense. Triste, mas já esperado.
A Chapecoense não fazia nenhuma força ou pressão para ganhar o jogo. Ao contrário, parecia só esperar que o Avaí fizesse os gols e acabasse logo com aquela agonia. A partir dos 35 minutos, vendo que o nosso time não fazia, o time do Oeste começou a se soltar e a primeira etapa terminou equilibrada, um péssimo indício sobre o que seria o segundo tempo.
SEGUNDO TEMPO
Sem alterações, aconteceu o que era esperado: o Avaí começou a fazer uma coisa que me irrita profundamente e que vem se repetindo nos últimos anos. Ao invés de ir pra cima e tentar vencer a partida, achou que o empate era um bom resultado e ficou segurando o jogo. Ora, claro que o adversário sente isso e se enche de força para vir pra cima. E não foi diferente: a Chapecoense passou a ser melhor no jogo e a criar chances. Se no primeiro tempo não havia concluído contra o gol de Moreto, a bola já começava a rondar perigosamente nossa meta.
E o gol não demorou, numa jogada que estamos carecas de ver mas parece que ninguém na Ressacada percebe: bola cruzada na nossa área, gol de cabeça. Depois disso, o time da casa acreditou que poderia mesmo vencer o jogo e passou a jogar como se fosse a final do campeonato. Mauro Ovelha tentou alguma coisa com Neílson, visivelmente acima do peso (é impressionante como jogadores profissionais ficam gordos na Ressacada).
Quando esperávamos alguma reação, ao menos uma pressão, Ovelha tira da cartola Laércio Carreirinha. Ali tive vontade de desligar a TV e ir brincar com meus filhos, mas a paixão falou mais alto e fiquei até o fim. Obviamente, o Avaí não criou mais sequer UMA chance de gol. Ficou até o final com Robinho se arrastando em campo e jogando bolas altas na área. Podia jogar até terça-feira que não marcaria gol. Não com Ronaldo Capixaba na frente, salvo se tivéssemos um pênalti a nosso favor.
E não venham me dizer que Capixaba é “esforçado”. Eu também sou e nem por isso fico mamando nas generosas tetas avaianas. Esforçado é o empresário dele, que consegue colocar esse bonde pra jogar e ainda ganhar um bom dinheiro. Esse sim, merecia uma estátua.
ANÁLISE DO TIME
Moreto: não teve culpa no gol e fez apenas uma defesa um pouco mais difícil, num chute do lateral adversário no segundo tempo. Se atrapalhou em um lance que quase resultou em gol. NOTA 6
Arlan: Apesar de jogar livre, não apoiou como deveria. Se esconde do jogo o tempo todo. NOTA 5
Leandro Silva: não foi mal, mas confesso que esperava mais dele. Pareceu um pouco assustado e sem ritmo. NOTA 6
Renato Santos: apavorado e lento, como se imaginava. Não transmite a menor confiança ao time. NOTA 4,5
Bruno: o melhor do time. Preocupado apenas em jogar bola, desarmou bem e ainda encontrou fôlego pra sair pro jogo. NOTA 8
Aelson: decepcionou, pareceu sentir o peso de enfrentar o ex-clube. NOTA 5
Marcinho Guerreiro: o brigador de sempre, ao menos serve para dar esporro nos “mandriões”. Perdeu um gol feito, o que baixa a sua cotação. NOTA 6
Pirão: outro que se escondeu do jogo. Não criou, não desarmou, não fez nada. NOTA 5
Robinho: o famoso jogador tri-atleta: corre, pedala… e nada! Colocou Marcinho na cara do gol no primeiro tempo e só caminhou na segunda etapa. Não serve pra ser o 10. NOTA 5
Cleverson: muito abaixo do que pode render, talvez ainda se ressentindo da contusão que quase o tirou do jogo. Ainda assim, o mais lúcido do nosso ataque. NOTA 6
Ronaldo Capixaba: precisa falar alguma coisa? Se Mauro Ovelha tivesse colocado uma samambaia com a camisa 9, talvez o resultado fosse melhor. NOTA 2 pelo esforço, e só.
Cássio: totalmente sem ritmo, ficou perdido. NOTA 4
Neílson: fora de forma e desengonçado, nada fez para mudar a cara do jogo. NOTA 4
Laércio: continua parecendo aqueles jogadores peladeiros de futebol suíço. Corre que nem louco para um lado e para o outro e nada produz. NOTA 3.
Mauro Ovelha: Só pela escalação do “trio esperança” citado acima, já merecia nota baixa. Tentando mudar o jogo com o Carreirinha, então… NOTA 3
A CHAPECOENSE
Mesmo sem uma pá de titulares, teve pelo menos vergonha na cara. Destaco o goleiro Nivaldo, o zagueiro Souza e o atacante Nicolas (que entrou na segunda etapa). Os demais, a meu ver, não irão longe no time titular. Mereceu a vitória pela seriedade e dedicação contra um adversário sonolento.
ARBITRAGEM
Apesar do receio, nada a contestar sobre a arbitragem de José Acácio da Rocha. Ainda que o jogo tivesse sido fácil, conduziu sem estrelismos nem sustos. Que bom se pudermos reclamar apenas do time nas derrotas, como foi o caso de hoje.